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Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SEÇÃO 8Técnicas Cirúrgicas
Capítulo81

Ostetomias da Coluna Vertebral

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Seção 8Técnicas Cirúrgicas
Cap. 81Capítulo Clínico
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Referênciascientíficas
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Resumo do capítulo

Contexto: As deformidades da coluna vertebral em populações pediátricas e adultas provocam alterações estéticas marcantes, frequentemente acompanhadas de dor incapacitante, comprometimento da marcha e perda de funcionalidade diária. Essas alterações manifestam-se no plano coronal (escoliose, desalinhamento de tronco e assimetrias pélvica ou escapular) e no plano sagital em condições como doença de Scheuermann, síndrome de flat-back, alterações iatrogênicas, neuromusculares, pós-traumáticas e espondilite anquilosante. Enquanto deformidades leves e flexíveis podem ser corrigidas com instrumentação e artrodese simples, deformidades rígidas, complexas e de alto grau exigem a realização de osteotomias. As osteotomias visam reestabelecer o alinhamento e o equilíbrio sagital e coronal, aliviar a dor, restaurar o olhar horizontal e preservar a função neurológica. Todavia, consistem em procedimentos cirúrgicos de elevada complexidade biomecânica e técnica, associados a uma curva de aprendizado longa e a riscos significativos de complicações graves.
Objetivo do capítulo: O capítulo visa capacitar o leitor a identificar os aspectos técnicos, indicações e contraindicações das diferentes osteotomias da coluna vertebral (SPO, Ponte, PSO e VCR) e compreender a classificação de SRS-Schwab. Objetiva também detalhar o preparo pré-, intra e pós-operatório individualizado, fundamentado no conhecimento anatômico e biomecânico, estimulando a troca interdisciplinar para prevenir complicações e otimizar os resultados clínicos e funcionais.
Visão Geral e FundamentosConceito e Classificação de SRS-Schwab A osteotomia é um procedimento cirúrgico destinado a reestruturar a coluna vertebral por meio do seccionamento ou ressecção de tecidos ósseos e ligamentares. A classificação de SRS-Schwab padroniza essas intervenções em seis graus crescentes de ressecção e potencial de correção angular: Grau 1: Ressecção da faceta inferior e da cápsula articular ( de correção). Grau 2: Ressecção de ambas as facetas, ligamento amarelo e partes dos ligamentos inter/supraespinhosos e processo espinhoso ( de correção). Grau 3: Ressecção parcial em cunha incluindo elementos posteriores e pedículo ( de correção). Grau 4: Ressecção ampla em cunha através do corpo vertebral, com retirada do pedículo e inclusão de ao menos uma placa terminal ( de correção). Grau 5: Remoção completa de um corpo vertebral e de ambos os discos adjacentes ( de correção). Grau 6: Remoção completa de mais de um corpo vertebral e seus respectivos discos ( de correção).
Técnicas e Modalidades de OsteotomiaOsteotomia de Smith-Petersen (SPO) e Ponte: Promovem abertura anterior e fechamento posterior, tendo o disco ou parede anterior como pivô. A SPO resseca estruturas posteriores (processos espinhosos, facetas, ligamentos) no segmento lombar, gerando de correção por milímetro ressecado (até por nível). A técnica de Ponte é aplicada no segmento torácico e envolve maior remoção óssea (Grau 2 de Schwab). São indicadas para deformidades sagitais flexíveis (flat-back, cifose de Scheuermann, espondilite). Estão contraindicadas em anquilose anterior, fusão intersomática prévia, deformidades muito rígidas e osteoporose severa não tratada previamente. Osteotomia de Subtração Pedicular (PSO): Envolve a ressecção em cunha de três colunas por via posterior, com pivô na parede anterior do corpo vertebral (geralmente L2 ou L3) mantida intacta, promovendo cerca de de correção sem alongar a coluna anterior. É indicada para deformidades sagitais rígidas, desequilíbrio sagital , cifoses angulares agudas ou falhas de artrodese sólida prévia. Ressecção Vertebral de Três Colunas (VCR): Exige a excisão completa de um corpo vertebral e dos discos adjacentes, seguida de encurtamento, realinhamento e aposição de dispositivo intersomático (cage ou aloenxerto) com fixação multissegmentar. Oferece o maior potencial corretivo () e é reservada para cifoses graves/rígidas (Pott, congênitas), deformidades complexas e ressecções tumorais en bloc. É contraindicada em infecções ativas, comorbidades graves descompensadas e osteoporose severa. Planejamento Pré-operatório e Complicações O planejamento engloba radiografias panorâmicas, reconstrução 3D por tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) em T2 para avaliação neural, densitometria óssea (DXA), simulação computacional e cessação do tabagismo por pelo menos 4 semanas. As principais complicações incluem lesão neurológica, lesão vascular de grandes vasos, fístula liquórica, infecção, pseudoartrose, falha de implantes, eventos pulmonares/gastrointestinais e óbito. A prevenção baseia-se em monitorização neurofisiológica multimodal contínua (potenciais evocados somatossensoriais [PESS], motores [PEM] e eletromiografia [EMG]) e estabilização temporária com hastes durante a ressecção.
Aplicação clínica: O conhecimento das osteotomias fundamenta a tomada de decisão cirúrgica com base na flexibilidade, localização e magnitude da deformidade. Em deformidades sagitais flexíveis, indica-se a correção harmônica multissegmentar com SPO ou Ponte. Casos de deformidade rígida com desequilíbrio sagital superior a ou fusões consolidadas demandam a realização de PSO. Já deformidades extremamente rígidas, graves ou lesões tumorais exigem a abordagem circunferencial da VCR. O planejamento exige avaliação tomográfica tridimensional e de densidade óssea por DXA; na presença de osteoporose severa, deve-se realizar tratamento farmacológico agressivo por pelo menos seis meses antes de indicar osteotomias posteriores tipo SPO, reduzindo o risco de soltura dos implantes. No intraoperatório, a utilização de hastes temporárias contralaterais e a monitorização neurofisiológica contínua (PESS, PEM e EMG) são cruciais para a segurança neural durante a ressecção óssea e as manobras de fechamento. As contraindicações absolutas, como infecção ativa para VCR ou comorbidades clínicas descompensadas, exigem rigoroso rastreio pré-operatório.
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Palavras-chave

Descritores DeCS/MeSH preferenciais:
Coluna VertebralProcedimentos Cirúrgicos OperatóriosDiagnóstico por ImagemArtrodeseBiomecânicaQualidade de VidaReabilitação

Por que este capítulo importa

O tratamento de deformidades espinhais rígidas e complexas representa um dos maiores desafios da cirurgia de coluna moderna, dado o risco iminente de déficit neurológico, hemorragia grave e falha mecânica. Este capítulo oferece um guia técnico e prático sobre os fundamentos, indicações e etapas de execução das osteotomias de Smith-Petersen, Ponte, subtração pedicular e ressecção vertebral de três colunas, alinhados à classificação SRS-Schwab. O conhecimento detalhado dessas estratégias e de suas medidas de mitigação de risco permite ao cirurgião otimizar o alinhamento sagital e coronal, garantindo maior segurança operatória e melhora funcional ao paciente.

As osteotomias da coluna vertebral são procedimentos de alta complexidade indispensáveis para a correção de deformidades rígidas e graves, contudo apresentam elevado perfil de risco de complicações neurológicas e estruturais. O sucesso terapêutico depende do domínio da anatomia e da biomecânica, da correta seleção da técnica segundo a classificação SRS-Schwab, do planejamento pré-operatório multidimensional e do uso sistemático da monitorização neurofisiológica intraoperatória.

Destaques do capítulo

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Card 1 — Conceito essencial Classificação SRS-Schwab das osteotomias A classificação de SRS-Schwab gradua as osteotomias em seis níveis segundo a extensão do osso ressecado. Varia da ressecção articular parcial (Grau 1, ) e facetectomia ampla (Grau 2, ) até ressecções em cunha com pedículo (Grau 3 e 4, ) e remoções completas de um ou mais corpos vertebrais com seus discos (Grau 5 e 6, ).

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Card 2 — Decisão clínica Escolha da técnica por rigidez Deformidades sagitais flexíveis requerem osteotomias de Smith-Petersen ou Ponte em múltiplos níveis para uma correção harmônica. Deformidades rígidas com desequilíbrio sagital acentuado () indicam osteotomia de subtração pedicular (PSO). Casos de deformidade extrema, rígida ou ressecções tumorais exigem a ressecção vertebral de três colunas (VCR).

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Card 3 — Pérola ou alerta Segurança neurofisiológica e densidade óssea A osteoporose severa não tratada é uma causa primária de falha mecânica, exigindo otimização farmacológica prévia por pelo menos seis meses em osteotomias posteriores. Além disso, a monitorização neurofisiológica multimodal contínua (PESS, PEM, EMG) é indispensável em todas as fases da osteotomia para identificar e prevenir lesões neurais iatrogênicas.

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Referências bibliográficas

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Tratado em Debate

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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Discussão com os autores sobre os conceitos fundamentais do equilíbrio sagital, parâmetros radiográficos e sua importância no planejamento cirúrgico e nos resultados clínicos.

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