InícioO TratadoCapítulosCapítulo 12
Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SEÇÃO 2Diagnóstico
Capítulo12

Anamnese e Exame Físico da Coluna Vertebral

A leitura completa deste capítulo está disponível exclusivamente na edição impressa do Tratado.
Seção 2Diagnóstico
Cap. 12Capítulo Clínico
3autores
Português
Español
English
Referênciascientíficas
📑

Resumo do capítulo

Contexto: A avaliação do paciente com queixas da coluna vertebral começa antes de qualquer exame de imagem. O capítulo organiza o raciocínio diagnóstico em observação clínica, exame físico e exames complementares, recomendando que a hipótese clínica seja formulada antes da análise radiográfica. A Figura 1 reforça esse princípio ao mostrar uma hérnia discal em paciente assintomático. Dor, deformidade e incapacidade funcional constituem as queixas centrais, mas cada uma exige caracterização sistemática e integração com antecedentes, sintomas gerais, fatores psicossociais e atividades do paciente. O exame deve ser global: postura, marcha, pele, alinhamento, quadris, pelve e membros inferiores podem revelar a origem ou as repercussões dos sintomas. Dermátomos, miótomos, reflexos, sinais de neurônio motor superior ou inferior e preservação sacral localizam o comprometimento neurológico. Testes especiais e exames de imagem complementam essa construção; no trauma, a prioridade é reconhecer instabilidade e documentar o déficit de modo padronizado.
Objetivo do capítulo: Ensinar uma sequência completa e reproduzível para a avaliação clínica da coluna vertebral. O leitor deverá estruturar a anamnese, diferenciar padrões de dor, examinar deformidade e mobilidade, realizar avaliação neurológica segmentar, interpretar testes cervicais, lombares e sacroilíacos, reconhecer sinais não orgânicos e aplicar os princípios da semiologia do trauma raquimedular, incluindo a classificação da American Spinal Injury Association (ASIA).
História clínica e padrões de dorA observação clínica inclui identificação, queixa principal, história atual, interrogatório dos aparelhos e antecedentes pessoais e familiares. O capítulo recomenda caracterizar localização, qualidade, extensão, irradiação, duração, horário e fatores de melhora ou piora. Dor radicular acompanha o dermátomo e pode associar-se a déficit sensitivo ou motor; dor referida esclerotomal é menos definida; e dor miofascial relaciona-se a pontos gatilho, rigidez e fadiga. Dor noturna, febre, emagrecimento ou indisposição ampliam a investigação para infecção ou tumor. Deformidade deve ser analisada quanto ao tipo, início, progressão, dor, déficit neurológico e impacto funcional.
Inspeção, palpação e movimentosO exame começa quando o paciente entra no consultório e inclui marcha, coluna, quadris, pelve e membros inferiores. Na inspeção, procuram-se cicatrizes, equimoses, manchas café com leite, tufos pilosos, assimetrias, deformidades e estigmas sindrômicos. A manobra de Adams, ilustrada na Figura 5, evidencia a giba e diferencia escoliose estruturada de desvios não estruturados. A palpação utiliza marcos como hioide, cartilagens tireoide e cricoide, C7, cristas ilíacas e espinhas ilíacas posterossuperiores, além de pesquisar dor interespinhosa, espasmo, pontos gatilho e alterações no trajeto do nervo ciático. Flexão, extensão, inclinação e rotação devem ser avaliadas ativa e passivamente, correlacionando limitação e dor; o teste de Schober modificado complementa a mobilidade lombar.
Localização neurológicaA avaliação neurológica reúne sensibilidade, força e reflexos. Dermátomos são examinados no sentido craniocaudal; miótomos recebem graduação de força de 0 a 5; e reflexos profundos e superficiais ajudam a distinguir lesões radiculares, do neurônio motor inferior e do neurônio motor superior. Hiperreflexia, espasticidade, Babinski, clônus, Hoffman e reflexo radial invertido sugerem comprometimento central. Reflexo bulbocavernoso, contração anal, sensibilidade perianal e preservação sacral são decisivos na avaliação de lesões medulares.
Testes especiais e diagnósticos diferenciaisSpurling, compressão e distração cervical, Lhermitte, elevação do membro inferior, estiramento femoral, Valsalva, Patrick/FABERE, Gaenslen e testes de compressão ou distração pélvica são apresentados como manobras complementares. Quadril, musculatura e articulação sacroilíaca devem ser considerados como fontes alternativas de dor. Os testes de Hoover e Burns e os cinco grupos de sinais não orgânicos de Waddell avaliam coerência clínica; diante de três ou mais grupos, o capítulo recomenda avaliação psicossocial complementar.
Trauma raquimedularNo trauma, a avaliação vital precede a semiologia da coluna. História, exame neurológico e imagem variam conforme consciência, sintomas e mecanismo. Radiografias, tomografia computadorizada e ressonância magnética são selecionadas conforme suspeita de fratura, lesão ligamentar ou déficit neurológico. A escala ASIA documenta sensibilidade, músculos-chave, nível neurológico e preservação sacral, classificando o comprometimento de A a E; a Figura 34 sintetiza esse registro.
Aplicação clínica: Na consulta, a sequência proposta reduz o risco de tratar um achado de imagem sem relação com os sintomas. Primeiro, o examinador formula hipóteses a partir da história e observa como dor, deformidade ou incapacidade se comportam com postura, movimento e atividade. Em seguida, procura sinais objetivos: alinhamento, giba, espasmo, limitação de movimento, déficit motor, alteração sensitiva e modificação dos reflexos. A concordância entre queixa, distribuição anatômica e exame neurológico orienta a localização e define quais exames complementares são necessários. Testes provocativos devem responder a uma pergunta clínica específica. Um teste isolado não estabelece diagnóstico; sua interpretação exige comparação com o lado contralateral, avaliação do quadril e da articulação sacroilíaca e reconhecimento de possíveis interferências musculares. Sinais não orgânicos não encerram a investigação: no modelo apresentado pelo capítulo, sua combinação indica necessidade de avaliação psicossocial adicional antes de procedimentos invasivos. No trauma, o exame deve ser seriado e documentado. O capítulo diferencia choque neurogênico de choque hipovolêmico, valoriza o reflexo bulbocavernoso e a preservação sacral e utiliza a escala ASIA para registrar nível e completude da lesão. Tomografia computadorizada e ressonância magnética complementam, respectivamente, a análise óssea e a investigação de déficit, medula e estruturas ligamentares conforme o cenário descrito.
🏷️

Palavras-chave

Descritores DeCS/MeSH preferenciais:
AnamneseMedical History TakingExame FísicoPhysical ExaminationExame NeurológicoNeurologic ExaminationColuna VertebralSpineDor nas CostasBack PainAmplitude de Movimento ArticularRange of Motion, ArticularDiagnóstico por ImagemDiagnostic ImagingTraumatismos da Medula EspinalSpinal Cord Injuries

Por que este capítulo importa

Alterações radiográficas podem existir sem sintomas, enquanto déficits relevantes podem ser percebidos primeiro na marcha, nos reflexos ou em uma mudança sutil de força. Este capítulo importa porque ensina a construir o diagnóstico a partir do paciente, e não da imagem. Ele integra dor, deformidade, função, alinhamento, quadris, membros inferiores e localização neurológica em uma sequência única. Essa abordagem melhora a indicação de exames, reduz erros de correlação, reconhece sinais de alerta e oferece uma linguagem padronizada para documentar o trauma raquimedular.

A anamnese e o exame físico organizam todo o diagnóstico da coluna vertebral. A imagem confirma ou refuta hipóteses, mas não substitui a caracterização da dor, a inspeção global, a avaliação dos movimentos e o exame neurológico segmentar. Testes especiais só ganham significado quando coerentes com o restante da avaliação. No trauma, documentação seriada, preservação sacral e classificação ASIA tornam o exame clínico indispensável ao diagnóstico, prognóstico e seguimento.

Destaques do capítulo

🌐
Card 1 — Conceito essencial
A história define a hipótese

Localização, irradiação, horário e relação com flexão, extensão ou marcha ajudam a distinguir padrões radiculares, referidos, miofasciais, degenerativos e sinais de alerta. A hipótese deve existir antes da imagem, porque alterações estruturais podem ser encontradas em pacientes assintomáticos.

🩺
Card 2 — Decisão clínica
Localize antes de solicitar

Dermátomos, miótomos e reflexos permitem relacionar sintomas a raiz, segmento medular ou trato longo. Quando há coerência anatômica, o exame orienta a escolha do método complementar. Quando não há, quadril, articulação sacroilíaca, causas sistêmicas e fatores psicossociais precisam permanecer no diagnóstico diferencial.

📐
Card 3 — Pérola ou alerta
Teste isolado não diagnostica

Spurling, elevação do membro inferior, Patrick, Gaenslen e outras manobras apenas complementam a avaliação. Resultado positivo deve reproduzir o sintoma habitual e concordar com história e exame neurológico. No trauma, nunca omita avaliação sacral: ela pode distinguir lesão medular completa de incompleta.

📚

Referências bibliográficas

1. As referências foram mantidas na ordem e com a numeração apresentadas no capítulo. A pontuação e a disposição foram uniformizadas segundo o estilo Vancouver, sem completar por suposição informações ausentes.
2. Barros Filho TEP, Lech O. Exame físico em ortopedia. São Paulo: Sarvier; 2001.
3. Bridwell KH, Dewald RL, editors. The textbook of spinal surgery. 2nd ed. Philadelphia: Lippincott-Raven; 1997.
4. Pudles E, Defino HLA. A Coluan Vertebral: Conceitos Básicos. Artmed Editora; 2014.
5. Frymoyer JW, Wiesel SW, Howard SA, Boden SD, Lauerman WC, Lenke LG, et al., editors. The adult and pediatric spine: an atlas of differential diagnosis. 3rd ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2003.
6. Herkowitz HN, Garfin SR, Eismont FJ, Bell GR, Balderston RA. Rothman-Simeone the spine online. 5th ed. Philadelphia: Saunders; 2006.
7. Hoppenfeld S, Hutton R, editors. Physical examination of the spine and extremities. Upper Saddle River: Prentice Hall; 1976.
8. Defino HLA. Lesões traumáticas da coluna vertebral. São Paulo: Bevilacqua; 2005.
9. Defino HLA, Pudles E, Rocha LEM. Coluna vertebral: lesões traumáticas. Artmed; 2019.
10. Machado A. Neuroanatomia funcional. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 2000.
11. Waddell G, McCulloch JA, Kummel E, Venner RM. Nonorganic physical signs in low-back pain. Spine (Phila Pa 1976). 1980;5(2):117-25.
12. American Spinal Injury Association. International standards for neurological classification of spinal cord injury. Chicago: ASIA; 1992.
13. Frankel HL, Hancock DO, Hyslop G, Melzak J, Michaelis LS, Ungar GH, et al. The value of postural reduction in the initial management of closed injuries of the spine with paraplegia and tetraplegia. I. Paraplegia. 1969;7(3):179-92.
Videocast SBC
Assistir Videocast
Tratado em Debate

Videocast oficial derivado dos capítulos do tratado.

Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Discussão com os autores sobre os conceitos fundamentais do equilíbrio sagital, parâmetros radiográficos e sua importância no planejamento cirúrgico e nos resultados clínicos.

Assistir episódio