• Contexto: As deformidades pós-traumáticas constituem uma consequência tardia de lesões vertebrais que evoluem com alteração estrutural do alinhamento, mais frequentemente em cifosis. Podem surgir após tratamiento conservador ou cirúrgico e estão relacionadas não apenas ao colapso do cuerpo vertebral, mas também à lesão dos discos adjacentes e à falha do complexo osteoligamentar. A transição toracolombar é particularmente vulnerável por concentrar mudanças importantes entre a rigidez torácica e a mobilidade lombar. A repercussão clínica depende da magnitude e da localização da deformidade, da capacidade de compensação da coluna e da pelve e da eventual presença de compressão neural. Dor axial progressiva é a manifestação mais comum, mas deterioração neurológica tardia também pode ocorrer. O desafio terapêutico consiste em distinguir deformidades compensadas e toleráveis daquelas que produzem desequilíbrio global, incapacidade, instabilidade, pseudoartrosis ou comprometimento neurológico e que podem justificar reconstrução cirúrgica complexa.
• Objetivo del capítulo: Apresentar os mecanismos responsáveis pela formação e progressão das deformidades espinhais pós-traumáticas e demonstrar como alinhamento local e global, integridade discal, sintomas, função neurológica e flexibilidade influenciam a tomada de decisão. O leitor deverá compreender os princípios de indicación quirúrgica, reconhecer as principais vias e tipos de osteotomy utilizados na correção e antecipar complicações clínicas, neurológicas e mecânicas.
• Da fratura à deformidadeA deformidade pós-traumática resulta da perda progressiva da capacidade de sustentação do segmento lesionado. O capítulo destaca que a evolução não depende exclusivamente do colapso vertebral: a integridade dos discos adjacentes, especialmente daquele situado junto à área traumatizada, influencia de maneira importante a manutenção ou perda da correção. A falência discal altera a distribuição das cargas e pode contribuir para progressão cifótica mesmo quando a deformidade óssea inicial não é exuberante.
• Alinhamento local e equilíbrio globalA avaliação deve ultrapassar a mensuração da deformidade focal. A localização é determinante: uma cifosis na região lombar baixa tende a interferir mais intensamente na lordose e na posição da pelve do que deformidades equivalentes em segmentos naturalmente cifóticos. O capítulo relaciona a deformidade local ao equilibrio sagital global e aos mecanismos compensatórios, incluindo aumento da lordose em segmentos remanescentes e retroversão pélvica. A Figura 1 demonstra a contribuição regional das diferentes curvas para o alinhamento fisiológico. Os autores também diferenciam deformidade focal com equilíbrio global preservado daquela acompanhada de desalinhamento sagital global. Essa distinção influencia a extensão e a complexidade da correção necessária.
• Quadro clínicoA dor axial localizada é a queixa mais frequente e está relacionada à alteração da mecânica dos discos, facetas, ligamentos e musculatura paravertebral. Entretanto, dor isoladamente não constitui indicação automática de cirurgia, pois possui natureza multifatorial. Déficit neurológico novo ou progressivo tem peso diferente. A deformidade pode produzir estenose progressiva, compressão neural ou associar-se à siringomielia pós-traumática. Nessas circunstâncias, a investigação deve ser imediata e o comprometimento neurológico passa a ocupar posição central no planejamento.
• Planejamento da correçãoO planejamento deve considerar topografia da deformidade, magnitude, flexibilidade, equilíbrio global, compressão neural, operações anteriores e condições clínicas do paciente. Radiografias panorâmicas em ortostase permitem avaliar o conjunto coluna-pelve; exames dinâmicos ajudam a determinar flexibilidade; e a resonancia magnética (RM) contribui na análise de discos e estruturas neurais. A Figura 2 exemplifica uma cifosis toracolombar tardia associada a comprometimento neural e sua reconstrução cirúrgica.
• Estratégias cirúrgicasAs abordagens podem ser anterior, posterior ou combinada. A via posterior ocupa papel central na maioria das reconstruções e permite instrumentação e osteotomías de diferentes magnitudes. A via anterior oferece acesso direto à coluna anterior e às estruturas compressivas, enquanto a combinação das duas pode ser necessária em deformidades rígidas, complexas ou com falha estrutural extensa. Entre as técnicas corretivas discutidas estão a osteotomy de Smith-Petersen, a osteotomy de subtração pedicular e a ressecção vertebral. Elas representam graus progressivamente maiores de capacidade corretiva e complexidade, e sua escolha depende fundamentalmente da flexibilidade e da gravidade da deformidade. A Figura 3 ilustra conceitualmente uma osteotomy posterior.
• Aplicación clínica: Na prática, a presença de uma cifosis pós-traumática em um exame de imagem não define, isoladamente, necessidade de correção. É preciso determinar se a deformidade está estável ou progredindo, se o paciente consegue compensá-la, se há desequilíbrio sagital global, dor incapacitante, perda funcional, pseudoartrosis, falha de implante ou comprometimento neurológico. A localização modifica a tolerância biomecânica. Deformidades torácicas leves podem permanecer compensadas, enquanto alterações na transição toracolombar ou na columna lumbar podem produzir repercussões mais amplas sobre lordose e alinhamento espinopélvico. Por isso, o planejamento deve incluir toda a coluna em ortostase, e não apenas o segmento traumatizado. Antes de qualquer correção angular, a situação neural deve ser compreendida. Em pacientes com compressão, aderências ou déficit, o capítulo enfatiza a necessidade de liberação adequada das estruturas neurais antes de manobras corretivas potencialmente tensionantes. Deformidades flexíveis podem exigir estratégias menos agressivas; deformidades rígidas e consolidadas podem demandar osteotomías de maior complexidade. A decisão entre abordagem anterior, posterior ou combinada deve considerar a localização da compressão, a necessidade de reconstrução anterior, a rigidez, as comorbidades e a experiência da equipe. A possibilidade de complicações neurológicas e mecânicas deve fazer parte da decisão compartilhada com o paciente.