HomeThe TreatiseChaptersChapter 60
Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SECTION 7Other Spinal Diseases
Chapter60

Metabolic Diseases Affecting the Spine

Full reading of this chapter is available exclusively in the printed edition of the Treatise.
Sec. 7Other Spinal Diseases
Cap. 60Clinical Chapter
2authors
Português
Español
English
Referênciasscientific citations
📑

Chapter Summary

Context: A spine possui particular vulnerabilidade às alterações do metabolismo ósseo por sua elevada proporção de osso trabecular e intensa atividade de remodelação. Essa característica torna as vértebras importantes sítios de manifestação da osteoporose e de diversas doenças osteometabólicas. vertebral fractures podem ser silenciosas e frequentemente permanecem sem reconhecimento clínico, apesar de sinalizarem risco aumentado de novas fraturas e impacto funcional relevante. A avaliação não termina, contudo, com o diagnóstico de osteoporose: causas secundárias podem modificar a conduta e precisam ser investigadas. the chapter covers osteoporose primária, osteoporose induzida por glicocorticoide, hiperparatireoidismo primário, raquitismo e osteomalacia e doença de Paget. Discute ainda interpretação crítica da densitometria, avaliação de vertebral fractures e ferramentas de estimativa de risco. Para o cirurgião da coluna, compreender essas condições é essencial porque qualidade óssea, deformidade, fragilidade e metabolismo influenciam diretamente risco de fratura, instrumentação e resultados das reconstruções.
Chapter Objective: Compreender por que a coluna é particularmente sensível às doenças osteometabólicas; reconhecer osteoporose primária e suas causas secundárias; interpretar densitometria e vertebral fractures; compreender os mecanismos e o risco associados ao uso de glicocorticoides; e diferenciar hiperparatireoidismo primário, osteomalacia, raquitismo e doença de Paget por seus padrões clínicos, laboratoriais e de imagem.
A coluna como sítio metabolicamente ativoO predomínio de osso trabecular torna a coluna especialmente responsiva às alterações do remodelamento. Essa característica explica por que perda óssea associada ao envelhecimento, menopausa ou determinadas medicações pode manifestar-se precocemente nesse segmento.
Osteoporose e fratura vertebralA osteoporose corresponde à perda de resistência óssea e pode ser reconhecida pela densidade mineral óssea ou pela ocorrência de fratura por fragilidade. A Figura 60.1 demonstra como erros de aquisição e identificação vertebral na densitometria podem alterar a interpretação. vertebral fractures podem assumir diferentes morfologias, sintetizadas na Figura 60.2, e muitas permanecem assintomáticas. Sua identificação modifica a estratificação de risco e, consequentemente, o planejamento terapêutico. Após o diagnóstico, deve-se investigar causas secundárias em vez de atribuir automaticamente o quadro ao envelhecimento.
Osteoporose induzida por glicocorticoidesGlicocorticoides alteram simultaneamente formação e reabsorção óssea e também afetam musculatura e metabolismo do cálcio. O aumento do risco pode ocorrer precocemente e não é necessariamente proporcional à alteração observada na densitometria. Ferramentas de risco podem auxiliar, mas precisam ser interpretadas levando em conta exposição medicamentosa e características individuais.
Hiperparatireoidismo primárioO hiperparatireoidismo primário pode ser identificado durante investigação de osteoporose secundária. Diferentemente de outros estados de alta remodelação, o acometimento do osso cortical pode ser mais pronunciado, de modo que uma densidade vertebral aparentemente preservada não exclui doença relevante. A Tabela 60.1 apresenta elementos utilizados para definir gravidade e indicação de tratamento definitivo.
Raquitismo e osteomalaciaDefeitos de mineralização podem decorrer de alterações do metabolismo de cálcio, vitamina D ou fosfato. O capítulo distingue formas calcipênicas e fosfopênicas. As Figuras 60.3 e 60.4 mostram como o raquitismo hipofosfatêmico pode associar-se a entesopatia, anquilose axial e achados densitométricos que não correspondem simplesmente a baixa massa óssea.
Doença de PagetA doença de Paget resulta de remodelação óssea desorganizada e pode envolver a coluna. Muitos pacientes são assintomáticos e a descoberta pode ocorrer por alterações bioquímicas ou de imagem. A Figura 60.5 exemplifica acometimento vertebral demonstrado por diferentes métodos.
Clinical Application: Para o cirurgião de coluna, “qualidade óssea ruim” não deve ser tratada como diagnóstico único. Uma fratura por fragilidade, densitometria alterada ou falha de fixação potencial exige investigar se o paciente apresenta osteoporose primária ou uma condição secundária tratável. A própria densitometria merece revisão crítica das imagens. Como mostrado na Figura 60.1, erro de posicionamento ou identificação dos níveis pode produzir interpretação equivocada. A ausência de diagnóstico prévio de fratura vertebral também é relevante, pois diversas fraturas são clinicamente silenciosas. Em pacientes que utilizam glicocorticoides, a ausência de queda importante da densidade mineral óssea não significa risco baixo. O histórico de exposição e outros fatores clínicos precisam participar da análise. Hipercalcemia, alterações de fosfato, fraqueza muscular, dor óssea difusa, entesopatias e elevação de marcadores de remodelação podem revelar etiologias diferentes e exigir abordagens específicas. Antes de grandes reconstruções, compreender essas doenças ajuda a antecipar risco mecânico e permite otimização metabólica coordenada com endocrinologia ou reumatologia, quando indicada.
🏷️

Keywords

Preferred DeCS/MeSH Descriptors:
OsteoporoseOsteoporosisFraturas OsteoporóticasOsteoporotic FracturesDensidade ÓsseaBone DensityHiperparatireoidismo PrimárioHyperparathyroidism, PrimaryOsteomalaciaOsteomalaciaRaquitismoRicketsRaquitismo HipofosfatêmicoRickets, HypophosphatemicOsteíte DeformanteOsteitis Deformans

Why this chapter matters

A qualidade do osso influencia diretamente fraturas, deformidades e a capacidade de uma reconstrução vertebral permanecer estável. Entretanto, o mesmo aspecto radiológico de fragilidade pode resultar de mecanismos completamente diferentes. O capítulo fornece ao cirurgião as bases para não interpretar densitometria de forma automática, reconhecer vertebral fractures silenciosas e identificar situações nas quais investigar uma causa metabólica secundária pode modificar substancialmente o tratamento e o risco cirúrgico.

A coluna é um sítio sentinela das doenças osteometabólicas. Fratura vertebral ou densitometria alterada não devem levar automaticamente ao rótulo de osteoporose primária: glicocorticoides, hiperparatireoidismo, defeitos de mineralização e doença de Paget podem modificar diagnóstico, risco e tratamento. Avaliação adequada exige integrar história, imagem, metabolismo mineral e qualidade técnica da densitometria.

Chapter Highlights

🌐
Card 1 — Fratura pode ser silenciosa
Uma parcela importante das vertebral fractures não provoca um episódio clínico reconhecido. Perda de estatura, deformidade ou achados incidentais podem ser a primeira pista, e sua identificação modifica substancialmente a avaliação do risco de novas fraturas.

🩺
Card 2 — Leia a densitometria
O laudo não substitui a análise da aquisição. Posicionamento inadequado, identificação incorreta das vértebras e artefatos podem alterar a densidade calculada e conduzir a diagnósticos errados ou interpretações equivocadas da evolução.

📐
Card 3 — Procure causas secundárias
Após reconhecer fragilidade óssea, é necessário perguntar por quê. Glicocorticoides, hiperparatireoidismo, distúrbios da mineralização e outras doenças podem exigir tratamento específico e modificar o planejamento de uma cirurgia da coluna.

📚

Bibliographic References

1. de Paula FJA, Black DM, Rosen CJ. Osteoporosis: basic and clinical aspects. In: Melmed S, Auchus RJ, Goldfine AB, Rosen CJ, Kopp PA, editors. Williams Textbook of Endocrinology. 15th ed. Philadelphia: Elsevier; 2024. p. 1233-75.
2. Management of osteoporosis in postmenopausal women: the 2021 position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2021;28(9):973-97.
3. Cosman F, Lewiecki EM, Eastell R, Ebeling PR, Jan De Beur S, Langdahl B, et al. Goal-directed osteoporosis treatment: ASBMR/BHOF task force position statement 2024. J Bone Miner Res. 2024;39(10):1393-405.
4. International Society for Clinical Densitometry (ISCD). 2023 ISCD Adult Positions. 2023. Available from: https://iscd.org/wp-content/uploads/2024/03/2023-ISCD-Adult-Positions.pdf
5. Chotiyarnwong P, McCloskey EV. Pathogenesis of glucocorticoid-induced osteoporosis and options for treatment. Nat Rev Endocrinol. 2020;16(8):437-47.
6. Compston J. Glucocorticoid-induced osteoporosis: an update. Endocrine. 2018;60(1):7016.
7. Rahman A, Haider MF. A comprehensive review on glucocorticoids induced osteoporosis: a medication caused disease. Steroids. 2024;207(109440):109440.
8. Humphrey MB, Russell L, Danila MI, Fink HA, Guyatt G, Cannon M, et al. 2022 American College of Rheumatology guideline for the prevention and treatment of glucocorticoid-induced osteoporosis. Arthritis Rheumatol. 2023;75(12):2088-102.
9. Paccou J, Yavropoulou MP, Naciu AM, Chandran M, Messina OD, Rolvien T, et al. Prevention and treatment of glucocorticoid-induced osteoporosis in adults: recommendations from the European Calcified Tissue Society. Eur J Endocrinol. 2024;191(6):G1-17.
10. Bilezikian JF, Silverberg SJ, Bandeira F, Cetani F, Chandran M, Cusano NE, et al. Management of primary hyperparathyroidism. J Bone Miner Res. 2022;37(11):2391-403.
11. Baroncelli GI, Comberiati P, Aversa T, Baronio F, Cassio A, Chiarito M, et al. Diagnosis, treatment, and management of rickets: a position statement from the Bone and Mineral Metabolism Group of the Italian Society of Pediatric Endocrinology and Diabetology. Front Endocrinol (Lausanne). 2024;15:1383681.
12. da Silva MMR, Bilezikian JP, de Paula FJA. Phosphate metabolism: its impact on disorders of mineral metabolism. Endocrine. 2025;88(1):1-13.
13. Banaganapalli B, Fallatah I, Alsubhi F, Shetty PJ, Awan Z, Elango R, et al. Paget’s disease: a review of the epidemiology, etiology, genetics, and treatment. Front Genet. 2023;14:1131182.
14. Bouchette P, Boktor SW. Paget bone disease. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025.
15. Haridy Y, Witzmann F, Asbach P, Reisz RR. Permian metabolic bone disease revealed by microCT: Paget’s disease-like pathology in vertebrae of an early amniote. PLoS One. 2019;14(8):e0219662.
16. Singer FR, Bone HG 3rd, Hosking DJ, Lyles KW, Murad MH, Reid IR, et al. Paget’s disease of bone: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2014;99(12):4408-22.
17. Tuck SP, Walker J. Adult Paget’s disease of bone. Clin Med. 2020;20(6):568-71.
Videocast SBC
Watch Videocast
Treatise in Debate

Official videocast derived from the treatise chapters.

Episode 1 – Chapter 8: Sagittal Plane Spinal Alignment

Discussion with the authors on fundamental concepts of sagittal alignment, radiographic parameters, and clinical significance.

Watch episode