• Context: A thoracolumbar junction é uma zona de transição estrutural e funcional entre a thoracic spine, relativamente rígida pela presença do gradil costal, e a lumbar spine, mais móvel nos planos sagital e lateral. the chapter describes anatomicamente essa região entre T10 e L2 e enfatiza a concentração das exigências mecânicas entre T11 e L2, sobretudo em T12–L1. A mudança das facetas do plano coronal para o sagital, a perda progressiva da contenção costal e a inflexão da curvatura sagital aumentam a mobilidade e a carga axial anterior. Do ponto de vista cirúrgico, a inserção do diafragma, a pleura, o retroperitônio, o músculo psoas, os grandes vasos, as artérias segmentares e a artéria de Adamkiewicz tornam a exposição particularmente complexa. A escolha entre abordagens posteriores, anterolaterais ou combinadas depende da doença, do nível, da lateralidade, da extensão do comprometimento e da necessidade de decompression, reconstrução ou estabilização.
• Chapter Objective: Apresentar o contexto anatômico, biomecânico e clínico da thoracolumbar junction e descrever os fundamentos das principais abordagens cirúrgicas. Ao final, o leitor deverá reconhecer os planos musculares e fasciais, compreender a relação do diafragma, da pleura, do psoas e da vascularização medular com os corredores operatórios, selecionar a via segundo a localização da doença e identificar os principais riscos e medidas de prevenção.
• Anatomia de transição e biomecânicaA thoracolumbar junction reúne características da thoracic spine distal e da lombar proximal. Os vertebral bodies aumentam de volume em direção lombar; as facetas passam de orientação frontal para sagital; os processos espinhosos tornam-se mais espessos e horizontais; e os pedículos assumem maior convergência. As Figuras 6.1 e 6.2, nas páginas 52–53, ilustram essa mudança morfológica. A mobilidade cresce progressivamente até L1–L2, especialmente em flexoextensão, enquanto a perda do suporte costal aumenta a demanda sobre músculos, discos e ligamentos. Na via posterior, a musculatura organiza-se em planos superficial, intermediário e profundo. Multífidos e eretores da espinha participam da coaptação e do controle segmentar; seus ramos nervosos e vasculares penetram perpendicularmente aos processos transversos, exigindo cuidado durante a dissecção. Nas abordagens anterolaterais, o diafragma e suas cruras constituem uma barreira anatômica, e o psoas maior funciona como referência no plano retroperitoneal.
• Abordagem posteriorA via posterior permite decompression neural, instrumentação segmentar, correção de deformidades, osteotomies e spinal fusion. A incisão mediana progride pelo tecido subcutâneo e pelas fáscias até os processos espinhosos. Após o afastamento dos planos superficial e intermediário, os músculos profundos são descolados subperiostealmente com instrumento de Cobb e bisturi elétrico, expondo processos espinhosos, lâminas, facetas e processos transversos. Essa técnica reduz o sangramento e amplia a exposição, mas deve limitar o tempo e a intensidade do afastamento muscular para preservar perfusão e inervação.
• Abordagem anterolateralA via anterolateral oferece acesso direto ao vertebral body e pode ser utilizada em fraturas, infecções, tumores e deformidades com comprometimento anterior. Em T12–L1, costuma combinar abertura torácica com descolamento ou secção controlada do diafragma, mantendo o plano retroperitoneal e mobilizando parcialmente o psoas com proteção das raízes lombares. Quando o diafragma é seccionado, recomenda-se preservar uma borda insercional para facilitar o reparo. A lateralidade deve ser definida antes da operação, pois a abordagem não permite manipulação bilateral nem acesso ao pedículo contralateral. A escolha considera o lado da doença, aorta, fígado, deformidade, doença pleuropulmonar e cirurgias prévias. A obliquidade das costelas pode deslocar a exposição em relação à incisão; por isso, a sequência da Figura 6.11, na página 63, reforça a marcação fluoroscópica do nível com o paciente já posicionado.
• Alternativas e estruturas críticasToracofrenolaparotomia, toracotomia, videotoracoscopia, miniacessos tubulares e dissecção extrapleural são apresentadas como opções conforme o nível e a extensão do procedimento. A abordagem extrapleural pode evitar a abertura intencional da cavidade e, em casos limitados, reduzir a necessidade de drenagem, mas a manipulação da pleura ainda pode causar exsudação, pneumotórax ou escape aéreo. A Figura 6.7, na página 59, esquematiza a irrigação medular. A artéria de Adamkiewicz costuma originar-se entre T8 e L1, com predomínio à esquerda, e sua lesão pode causar isquemia medular anterior. O capítulo recomenda mapeamento por angiotomografia ou angiorressonância, clampeamento segmentar temporário em situações selecionadas e monitorização eletrofisiológica contínua.
• Clinical Application: A aplicação clínica começa pela definição do alvo e do corredor que oferece exposição suficiente com menor agressão às estruturas críticas. A via posterior é particularmente útil quando o procedimento exige decompression neural, controle multissegmentar, instrumentação ou correção de deformidade. A abordagem anterolateral favorece o acesso direto ao vertebral body e à coluna anterior, mas sua lateralidade precisa ser decidida com base na posição da lesão, na anatomia vascular e visceral e na condição pleuropulmonar. O planejamento deve incluir computed tomography (CT), magnetic resonance imaging (MRI) e, nos procedimentos de maior risco vascular, localização da artéria de Adamkiewicz. O paciente deve ser movimentado em bloco e fixado com segurança em decúbito lateral. A marcação radiográfica após o posicionamento reduz erros de nível relacionados à obliquidade costal e ao deslocamento entre pele e vértebra. Quando houver abertura torácica, a tolerância à ventilação monopulmonar deve ser avaliada. Durante a exposição, a dissecção subperiosteal, a preservação da borda diafragmática, a proteção da pleura e do psoas e a inspeção das estruturas manipuladas reduzem riscos. Mesmo na dissecção extrapleural, o capítulo recomenda vigilância para pneumotórax, derrame e escape aéreo; a manobra com soro e ventilação forçada auxilia a detecção de lesões pleurais. Quilotórax, isquemia medular, lesão frênica, hérnias toracoabdominais e complicações respiratórias exigem reconhecimento precoce. A participação de um cirurgião de acesso é apresentada como colaboração valiosa desde o planejamento até o pós-operatório.