HomeThe TreatiseChaptersChapter 34
Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SECTION 4Spinal Deformities
Chapter34

Idiopathic Scoliosis

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Sec. 4Spinal Deformities
Cap. 34Clinical Chapter
3authors
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Referênciasscientific citations
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Chapter Summary

Context: A scoliosis idiopática é a forma mais frequente de scoliosis estruturada e permanece um diagnóstico de exclusão. Antes de atribuir a deformidade à forma idiopática, devem ser afastadas causas congênitas, neuromusculares, sindrômicas e relacionadas a outras doenças. Sua etiologia permanece desconhecida e provavelmente multifatorial, envolvendo predisposição genética e possíveis fatores de crescimento, biomecânicos, neurológicos, hormonais e metabólicos. A progressão não é uniforme: depende principalmente da magnitude e do padrão da curva e do crescimento remanescente. Por isso, a avaliação deve integrar exame clínico, maturidade esquelética e radiografias padronizadas, reconhecendo padrões atípicos que justifiquem investigação adicional do neuroeixo. No surgical treatment, a correção angular constitui apenas uma parte do objetivo. Equilíbrio coronal e sagital, rotação, alinhamento dos ombros e preservação do maior número possível de segmentos móveis precisam ser considerados para alcançar resultado duradouro e funcional.
Chapter Objective: Apresentar uma abordagem integrada da scoliosis idiopática, abrangendo diagnóstico, epidemiologia, história natural, avaliação clínica e radiográfica e classificação de Lenke. O leitor deverá compreender os fatores associados à progressão, selecionar adequadamente observação ou conservative treatment, reconhecer os princípios da surgical indication, planejar a extensão da spinal fusion e compreender possibilidades e limitações das técnicas de preservação ou modulação do crescimento.
Diagnóstico e história naturalA scoliosis idiopática deve ser reconhecida como uma deformidade tridimensional e somente classificada como idiopática após avaliação clínica, neurológica e radiográfica adequada. O capítulo revisa a divisão histórica por idade e diferencia as deformidades diagnosticadas precocemente da scoliosis idiopática do adolescente. A evolução depende principalmente da combinação entre características da curva e potencial de crescimento. Curvas torácicas e padrões duplos apresentam maior tendência à progressão, especialmente durante períodos de crescimento acelerado. Após a maturidade, a evolução costuma ser mais lenta e depende da deformidade residual ao final do crescimento.
Avaliação clínicaAssimetria dos ombros, escápulas, mamas, cintura e tronco são manifestações frequentes. A manobra de Adams e o escoliômetro auxiliam na avaliação da rotação, ilustrada na Figura 4. Dor importante, déficit neurológico ou um padrão incomum de deformidade devem estimular investigação de outras causas. O exame neurológico permanece obrigatório mesmo quando se espera normalidade na scoliosis idiopática. O capítulo destaca particularmente a necessidade de atenção às curvas atípicas e às manifestações que possam sugerir alterações do neuroeixo.
Imagem e interpretação tridimensionalfull-spine panoramic radiographs em ortostase constituem a base da avaliação. Devem permitir caracterização da magnitude das curvas, equilíbrio coronal e sagital, rotação e maturidade, além da identificação de vértebras de referência. O ângulo de Cobb permanece a medida clínica mais utilizada, embora possua variabilidade inerente e represente apenas uma projeção bidimensional da deformidade. Estudos de inclinação lateral, tração ou outras manobras de flexibilidade são empregados principalmente para planejamento terapêutico, e não para repetição indiscriminada durante o seguimento. A magnetic resonance imaging (MRI) é utilizada de maneira dirigida quando existe suspeita de etiologia não idiopática.
Classificação de LenkeA classificação de Lenke organiza a scoliosis idiopática do adolescente a partir do padrão das curvas, modificador lombar e perfil sagital torácico. As Figuras 8 a 12 apresentam seus principais elementos. Seu valor está em padronizar a descrição e auxiliar no surgical planning, especialmente na distinção entre curvas estruturadas e não estruturadas. O capítulo ressalta, entretanto, sua natureza predominantemente bidimensional diante de uma deformidade verdadeiramente tridimensional.
Tratamento e preservação de segmentosGrande parte das curvas pode ser acompanhada, enquanto órteses ocupam papel relevante nos pacientes ainda em crescimento e com risco de progressão. A cirurgia é considerada de maneira multifatorial, combinando progressão, maturidade, padrão da deformidade e repercussão clínica. Quando indicada, a spinal fusion deve incluir as curvas estruturadas e preservar, quando seguro, as curvas compensatórias. A escolha das vértebras instrumentadas procura equilibrar correção e preservação da mobilidade, especialmente na lumbar spine. As Figuras 18 a 24 apresentam os referenciais utilizados nesse planejamento e o conceito de spinal fusion seletiva. Por fim, o capítulo discute técnicas de modulação do crescimento, como o vertebral body tethering. Esses métodos são apresentados como alternativas promissoras para pacientes selecionados, mas ainda dependentes de seleção rigorosa, acompanhamento e resultados de longo prazo.
Clinical Application: Na prática, o primeiro passo diante de uma scoliosis é confirmar se o quadro realmente possui características idiopáticas. História, inspeção do tronco, manobra de Adams, avaliação neurológica e radiografias em ortostase devem formar um conjunto coerente. Dor desproporcional, déficit neurológico, progressão incomum ou padrão atípico devem interromper a aplicação automática do diagnóstico e motivar investigação complementar. Uma vez confirmado o diagnóstico, a pergunta principal passa a ser o risco de progressão. A magnitude atual da curva deve ser interpretada juntamente com idade esquelética e crescimento remanescente. Essa combinação orienta a frequência do acompanhamento e a escolha entre observação, órtese ou discussão cirúrgica. Nos pacientes candidatos à cirurgia, a classificação de Lenke organiza o padrão, mas não determina sozinha a operação. Altura dos ombros, equilíbrio do tronco, flexibilidade, perfil sagital e relação da curva com o sacro participam da escolha dos níveis. A preservação dos segmentos distais é desejável, mas não às custas de descompensação ou progressão residual. A spinal fusion seletiva exemplifica esse equilíbrio: pode preservar mobilidade lombar quando a curva adjacente é verdadeiramente compensatória, porém uma correção excessiva ou seleção inadequada dos níveis pode produzir adding-on ou desequilíbrio. As técnicas de modulação do crescimento devem ser discutidas como alternativas específicas, e não como substitutos universalmente superiores à spinal fusion convencional.
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Keywords

Preferred DeCS/MeSH Descriptors:
scoliosisScoliosisCurvaturas da spineSpinal CurvaturesAdolescenteAdolescentEstimativa da Idade pelo EsqueletoAge Determination by SkeletonRadiografiaRadiographyImageamento por magnetic resonance imaging (MRI)Magnetic Resonance ImagingFusão VertebralSpinal Fusion

Why this chapter matters

A scoliosis idiopática é frequente, mas isso não torna seu tratamento simples. O mesmo valor angular pode significar observação em um paciente e elevado risco de progressão em outro. Da mesma forma, uma grande correção radiográfica pode ser inadequada se comprometer equilíbrio, perfil sagital ou segmentos lombares desnecessariamente. O capítulo conecta diagnóstico, crescimento, flexibilidade, classificação e surgical planning em uma sequência lógica, ajudando a evitar dois erros fundamentais: tratar como idiopática uma deformidade de outra causa e tratar a radiografia sem considerar o paciente como um todo.

A scoliosis idiopática exige mais que medir um ângulo. O diagnóstico depende da exclusão de outras etiologias, e a decisão terapêutica integra crescimento remanescente, padrão e progressão da curva, equilíbrio tridimensional e impacto clínico. Quando a cirurgia é necessária, o objetivo é controlar a deformidade preservando alinhamento, função e o maior número possível de segmentos móveis. Classificações e tecnologias auxiliam essa decisão, mas não substituem a avaliação individual do paciente.

Chapter Highlights

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Card 1 — Conceito essencial
Idiopática é diagnóstico de exclusão

Uma curva estrutural não deve ser denominada idiopática apenas por sua aparência radiográfica. História, exame neurológico e padrão da deformidade precisam ser compatíveis e outras causas devem ser afastadas. Achados atípicos devem reabrir a investigação antes que o paciente seja incluído em um algoritmo de tratamento para scoliosis idiopática.

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Card 2 — Decisão clínica
Crescimento muda o risco

A mesma curva pode ter significados diferentes conforme o crescimento remanescente. Maturidade esquelética, fase puberal, padrão e comportamento radiográfico precisam ser analisados em conjunto. Avaliar apenas o valor atual do Cobb pode subestimar o risco de progressão ou levar a tratamento excessivo de uma curva estável.

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Card 3 — Pérola ou alerta
Preserve mobilidade sem perder equilíbrio

Artrodesar menos segmentos pode oferecer benefício funcional, especialmente na lumbar spine, mas somente quando a curva não incluída consegue compensar adequadamente a correção. Hipercorreção, seleção inadequada dos níveis ou interpretação equivocada da estruturação podem resultar em descompensação, adding-on e necessidade de revisão.

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Treatise in Debate

Official videocast derived from the treatise chapters.

Episode 1 – Chapter 8: Sagittal Plane Spinal Alignment

Discussion with the authors on fundamental concepts of sagittal alignment, radiographic parameters, and clinical significance.

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