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Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SECTION 4Spinal Deformities
Chapter33

Congenital Spine Deformities

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Sec. 4Spinal Deformities
Cap. 33Clinical Chapter
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Referênciasscientific citations
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Chapter Summary

Context: As deformidades congênitas da spine resultam de alterações da formação ou segmentação vertebral durante o desenvolvimento embrionário e podem manifestar-se como scoliosis, kyphosis, lordose ou combinações tridimensionais dessas deformidades. Seu comportamento é extremamente heterogêneo: algumas malformações permanecem praticamente estáveis, enquanto outras apresentam progressão importante durante o crescimento e podem produzir desequilíbrio, deformidades compensatórias e comprometimento neurológico. A complexidade não se restringe à coluna. Como diferentes órgãos se desenvolvem simultaneamente no período embrionário, alterações cardíacas, geniturinárias, costais e do neuroeixo podem coexistir e modificar o planejamento terapêutico. A história natural depende principalmente do tipo de defeito, sua localização, combinação com outras malformações e crescimento remanescente. Por isso, o desafio clínico consiste em identificar precocemente quais deformidades necessitam apenas vigilância e quais se beneficiarão de uma intervenção antes que uma anomalia localizada se transforme em deformidade extensa, rígida e de maior risco.
Chapter Objective: present the fundamentals embriológicos, classificatórios e clínicos das deformidades congênitas da coluna. O leitor deverá diferenciar defeitos de formação, segmentação e formas mistas, reconhecer malformações associadas, compreender fatores relacionados à história natural e utilizar radiografia, magnetic resonance imaging (MRI) e tomografia tridimensional de maneira direcionada. O capítulo também organiza os princípios do conservative treatment e das principais estratégias cirúrgicas conforme idade, crescimento, morfologia e gravidade da deformidade.
Embriologia orienta o raciocínioAs vértebras formam-se durante fases precoces do desenvolvimento embrionário. Interferências nesse processo podem alterar a formação dos vertebral bodies ou sua segmentação. the chapter presents uma origem provavelmente multifatorial, envolvendo predisposição genética e possíveis influências ambientais, nutricionais e teratogênicas. Compreender o momento do desenvolvimento em que ocorreu a alteração ajuda a interpretar tanto a malformação vertebral quanto a possibilidade de anomalias em outros sistemas.
Formação, segmentação e formas mistasA classificação clássica de Winter organiza os defeitos em falhas de formação, falhas de segmentação e combinações mistas. Nas falhas de formação, o espectro inclui vértebras acunhadas e diferentes tipos de hemivértebras; nas falhas de segmentação, podem surgir barras unilaterais ou vértebras em bloco. A Figura 1 sintetiza esses padrões. O ponto central é que morfologias aparentemente semelhantes não apresentam necessariamente o mesmo potencial de progressão. A presença de estruturas de crescimento e a combinação entre defeitos podem modificar profundamente a história natural.
A deformidade é tridimensionalA radiografia permanece essencial, mas representa apenas uma projeção bidimensional. O capítulo destaca o valor da computed tomography (CT) com reconstrução tridimensional em deformidades complexas, particularmente quando existem discordâncias entre os elementos anteriores e posteriores. A classificação proposta por Kawakami procura incorporar essa visão tridimensional e pode acrescentar informação relevante ao surgical planning.
Procure malformações associadasA scoliosis congênita pode integrar quadros multissistêmicos. O capítulo discute associação com alterações cardíacas, geniturinárias, intracanais, costais e deformidade de Sprengel, além do espectro VACTERL e de diferentes síndromes. Por isso, a avaliação não deve terminar na radiografia da coluna. O exame neurológico, a investigação do neuroeixo e a pesquisa dirigida de alterações sistêmicas fazem parte do diagnóstico.
História natural define urgênciaO comportamento depende do tipo de malformação, localização e crescimento. Defeitos capazes de produzir crescimento assimétrico persistente apresentam maior risco de progressão, enquanto outros podem permanecer estáveis por longos períodos. O capítulo enfatiza que deformidades diagnosticadas muito precocemente e determinadas combinações morfológicas exigem acompanhamento particularmente cuidadoso. Cifoses congênitas também merecem atenção pelo risco de deterioração neurológica.
Tratamento: evitar progressão antes de corrigirO conservative treatment tem papel limitado, mas pode ser útil para controlar curvas compensatórias, postergar uma cirurgia ou acompanhar crianças muito pequenas em situações selecionadas. Quando a intervenção cirúrgica é necessária, o objetivo principal é impedir progressão. As opções descritas incluem hemiepifisiodese, ressecção de hemivértebra, spinal fusion in situ, sistemas que preservam crescimento, osteotomies corretivas e tração halo-gravitacional. A Tabela 1 compara conceitualmente essas estratégias, suas indicações, vantagens e limitações. A escolha não deve ser baseada apenas no ângulo da curva: idade, crescimento remanescente, localização, rigidez, morfologia tridimensional, equilíbrio e malformações associadas determinam o plano.
Clinical Application: Na prática, o primeiro passo é determinar qual malformação está presente e qual seu potencial de progressão. Uma radiografia panorâmica caracteriza o alinhamento global, mas deformidades complexas frequentemente exigem compreensão tridimensional da anatomia. Nos pacientes considerados para cirurgia, o capítulo valoriza especialmente a tomografia com reconstrução tridimensional e a magnetic resonance imaging (MRI) do neuroeixo. A investigação deve incluir também malformações extracolunares. Alterações cardíacas, renais, costais ou intracanais podem modificar anestesia, momento da intervenção e até o procedimento escolhido. Essa avaliação é especialmente importante porque uma deformidade vertebral pode ser apenas uma manifestação de um distúrbio congênito mais amplo. O tratamento deve ser antecipatório. Algumas malformações podem ser simplesmente observadas; outras possuem história natural desfavorável e podem justificar procedimento localizado antes que apareçam curvas compensatórias e rigidez extensa. Em crianças pequenas, preservar crescimento é relevante, mas não constitui objetivo absoluto: sistemas de crescimento também apresentam complicações, e procedimentos definitivos mais limitados podem ser preferíveis quando eliminam o principal motor da deformidade. Nas curvas graves ou rígidas, segurança neurológica torna-se prioridade. Avaliação do neuroeixo, planejamento tridimensional e, em situações selecionadas, correção gradual antes da reconstrução definitiva podem reduzir a necessidade de manobras mais agressivas.
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Keywords

Preferred DeCS/MeSH Descriptors:
Anormalidades CongênitasCongenital AbnormalitiesCurvaturas da spineSpinal CurvaturesscoliosisScoliosiskyphosisKyphosiscomputed tomography (CT) por Raios XTomography, X-Ray ComputedImageamento por magnetic resonance imaging (MRI)Magnetic Resonance ImagingFusão VertebralSpinal Fusion

Why this chapter matters

Em poucas áreas da deformidade vertebral a história natural é tão dependente da anatomia específica. Uma hemivértebra pode permanecer relativamente compensada, enquanto outra combinação de defeitos gera progressão rápida durante o crescimento. Além disso, alterações renais, cardíacas ou do neuroeixo podem permanecer ocultas e modificar radicalmente o risco do tratamento. Este capítulo oferece a estrutura necessária para reconhecer essas diferenças, utilizar a imagem tridimensional de forma racional e escolher entre observar, preservar crescimento ou intervir precocemente antes que a correção exija procedimentos muito mais complexos.

As deformidades congênitas da coluna não constituem uma única doença, mas um conjunto de malformações com comportamentos muito diferentes. O tipo de defeito, sua expressão tridimensional, localização, crescimento remanescente e presença de anomalias associadas determinam o prognóstico. O tratamento ideal não busca simplesmente corrigir uma curva existente: procura reconhecer precocemente seu potencial evolutivo e impedir que uma malformação localizada progrida para uma deformidade extensa, rígida e de maior risco.

Chapter Highlights

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Card 1 — Conceito essencial
Morfologia define o potencial

Defeitos de formação e segmentação não apresentam a mesma história natural. A presença de crescimento assimétrico e a combinação entre diferentes malformações podem transformar uma alteração pequena em deformidade progressiva. Reconhecer a morfologia correta é o primeiro passo para estimar o risco.

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Card 2 — Decisão clínica
Procure além da coluna

Uma malformação vertebral pode coexistir com alterações cardíacas, geniturinárias, costais ou do neuroeixo. A investigação dessas associações não é acessória: pode modificar o risco anestésico, a indicação, o momento da cirurgia e a própria estratégia reconstrutiva.

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Card 3 — Pérola ou alerta
Prevenir pode ser melhor

Nas deformidades com história natural desfavorável, esperar que uma curva se torne grande e rígida pode transformar uma intervenção localizada em reconstrução extensa. O capítulo valoriza a identificação precoce dos padrões progressivos para que o tratamento seja proporcional ao problema antes do aparecimento de deformidades compensatórias complexas.

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Treatise in Debate

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Episode 1 – Chapter 8: Sagittal Plane Spinal Alignment

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