• Context: As deformidades da spine correspondem a alterações das curvas fisiológicas ou ao aparecimento de curvaturas anormais nos planos coronal, sagital e axial. Embora scoliosis, kyphosis e lordose sejam frequentemente descritas separadamente, o capítulo enfatiza que as deformidades relevantes são tridimensionais e devem ser interpretadas pela interação entre forma vertebral, rotação, crescimento, alinhamento global e mecanismos compensatórios. Suas causas são diversas e incluem formas idiopáticas, congênitas, neuromusculares, associadas à neurofibromatose, doenças mesenquimais, trauma, infecção e tumores. Por isso, reconhecer uma deformidade é apenas o início do processo diagnóstico. História, physical examination, padrão da curva, presença de dor ou manifestações neurológicas, maturidade esquelética e estudo radiográfico precisam ser integrados para caracterizar sua etiologia e estimar comportamento futuro. O capítulo fornece a base conceitual e terminológica necessária para a avaliação das diferentes deformidades abordadas nas seções subsequentes do Tratado.
• Chapter Objective: Apresentar a linguagem fundamental das spinal deformities e organizar sua avaliação clínica e radiológica. O leitor deverá compreender a natureza tridimensional da scoliosis, reconhecer alterações sagitais, identificar etiologias e padrões atípicos, diferenciar curvas estruturadas e não estruturadas, interpretar maturidade esquelética e potencial de progressão e utilizar terminologia padronizada para descrever localização, magnitude, flexibilidade, rotação, equilíbrio e relação espinopélvica.
• Deformidade é um fenômeno tridimensionalO capítulo define as deformidades pela alteração das curvas normais da coluna ou pelo surgimento de curvas anormais. A scoliosis não deve ser entendida simplesmente como uma curvatura lateral: quando existe rotação vertebral, a alteração envolve simultaneamente os planos coronal, sagital e axial. As Figuras 1 a 3 introduzem os planos anatômicos e a relação entre lordose, rotação e scoliosis. No plano sagital, kyphosis e lordose fisiológicas podem apresentar aumento ou redução. O desenvolvimento dessas curvas ocorre progressivamente durante o crescimento, como sintetizado na Figura 4.
• Etiologia e patogêneseO quadro de etiologias reúne deformidades idiopáticas, congênitas, neuromusculares, relacionadas à neurofibromatose e doenças mesenquimais, além das formas pós-traumáticas, pós-infecciosas e tumorais. Na scoliosis idiopática, o capítulo discute o papel do bipedalismo, do sagittal alignment e das forças de cisalhamento na produção da instabilidade rotacional. A Figura 5 representa conceitualmente essa relação. Nas deformidades cifóticas, perda do suporte anterior ou falha das estruturas posteriores podem alterar progressivamente o alinhamento.
• Caracterização das curvasAs curvas são descritas segundo lado, localização, magnitude, etiologia, rotação e flexibilidade. A localização é determinada pela vértebra apical, enquanto as vértebras terminais delimitam a curva para mensuração. O método de Cobb permanece como referência para quantificação radiográfica, ilustrado na Figura 7, enquanto outros métodos históricos e alternativos são apresentados na Figura 8. O capítulo ressalta, entretanto, que qualquer mensuração bidimensional representa apenas uma projeção de uma deformidade tridimensional. Tecnologias de reconstrução tridimensional permitem avaliar parâmetros adicionais relacionados à rotação, forma vertebral e plano de máxima curvatura, conceitos apresentados nas Figuras 10 a 12.
• Curvas estruturadas e não estruturadasA diferenciação depende principalmente da flexibilidade e da rotação. Curvas não estruturadas tendem a corrigir quando a causa extrínseca é removida ou quando o paciente é submetido a manobras de correção. Curvas estruturadas apresentam persistência da deformidade, rotação vertebral e, com a evolução, alterações ósseas e dos tecidos moles. A manobra de Adams, demonstrada na Figura 20, evidencia a rotação do tronco e auxilia nessa distinção.
• Crescimento e risco de progressãoO potencial de crescimento é componente central da avaliação. Idade cronológica, desenvolvimento puberal, menarca e diferentes marcadores esqueléticos oferecem informações complementares. the chapter presents Risser, cartilagem trirradiada, Sanders, Tanner e métodos baseados na mão, punho e olecrânio como instrumentos para estimar maturidade. O conceito fundamental é que a possibilidade de progressão não depende apenas do tamanho da curva, mas também de quanto crescimento ainda resta ao paciente.
• Avaliação globalRadiografias em ortostase permitem analisar simultaneamente deformidade coronal, curvas sagitais, equilíbrio global e parâmetros pélvicos. Estudos de flexibilidade auxiliam a distinguir componentes móveis e rígidos. RM e outros exames complementares são reservados a situações em que padrão da curva, idade, dor, progressão, exame neurológico ou outros achados levantem suspeita de etiologia não idiopática.
• Clinical Application: A avaliação deve começar pela premissa de que a deformidade é um sinal clínico e ainda não um diagnóstico etiológico. O primeiro passo é caracterizar quando a alteração apareceu, como evoluiu, se há dor, sintomas neurológicos, limitação funcional ou tratamentos prévios. A inspeção deve abranger tronco, pelve, membros inferiores e pele, procurando assimetrias, alterações do equilíbrio e sinais que sugiram doenças associadas. A manobra de Adams auxilia a reconhecer rotação e estruturação. Diferenças no comprimento dos membros, contraturas do quadril e fenômenos dolorosos podem produzir curvas secundárias que precisam ser diferenciadas de deformidades intrínsecas da coluna. Curvas de padrão incomum, progressão acelerada, dor relevante, alterações neurológicas ou determinados estigmas clínicos devem ampliar a investigação. Radiograficamente, não basta obter um ângulo. Devem ser caracterizados ápice, vértebras terminais, rotação, flexibilidade, equilíbrio coronal, perfil sagital e relação com a pelve. Nos pacientes em crescimento, a análise da maturidade esquelética acrescenta dimensão prognóstica à avaliação. A RM não é apresentada como exame rotineiro para toda scoliosis, mas como ferramenta dirigida a situações em que o quadro clínico ou radiográfico sugere possível doença neural ou etiologia não idiopática. Essa sequência evita transformar uma deformidade visual em diagnóstico simplificado e cria uma base consistente para o planejamento terapêutico.